sábado, 8 de fevereiro de 2014

Soldadinho

"Lembro de quando eu era novo
Planejava dominar o mundo com o pessoal da creche.
E mãe o meu cabelo.
Ignorava qualquer senso de estética
que eu poderia vir a ter"


Esse post é um oferecimento do "Garoto Superpombo" (entendedores entenderão, né não Jão?)


O trecho acima é o começo da música Soldadinho (dãããã) de uma banda foda, considerada por mim hoje como a melhor banda nacional, chamada Supercombo (daí veio o trocadilho infame que o Browa fez) e é a minha favorita do disco Amianto (um puta disco, diga-se de passagem).

Ei, soldadinho, tá perdidinho... O lance é inventar, fazer seu próprio rolimã

Essa é uma daquelas canções que conta a história da sua vida ou então explica exatamente, colocando todos os pingos no i's, a situação em que você se encontra. Assim que ouvi esse primeiro trecho que eles liberaram em prévia no Youtube bateu aquele nó na garganta de lembranças vindas lá do fundo do baú e esse aperto persiste a cada vez que a faixa é tocada.

Quem me tem nas redes sociais provavelmente já leu nas minhas bios a seguinte frase:

"Provavelmente morreu muito jovem na vida passada e voltou nessa com Síndrome de Peter Pan"

É uma constante as pessoas me perguntarem se eu não tive infância dadas coisas que eu falo e faço sem nem me importar com o que pensem. A questão não é que eu não tive infância, mas justamente o contrário. Minha infância foi tão, mas tão foda que eu resolvi esticar ela por tempo indeterminado.

Você se lembra de como era quando você era criança?

Eu me lembro. Perfeitamente, cada mínimo detalhe como se fosse ontem. Manias, gostos, brincadeiras e o mais importante: amigos. O que seria da infância sem amigos? Amigos esses que, muitas das vezes, eram nossos inimigos ou então se tornavam nossos inimigos por um curto espaço de tempo só pra nos lembrarmos do quão importante eles eram.

Tudo na infância é mais simples. As complicações de tudo vão surgindo à medida em que vamos crescendo e perdendo a inocência, conhecendo as verdades que o mundo nos impõe. Quando criança nada importava muito. Nos contentávamos com pouco desde que fosse divertido. Não existia esse apetite desenfreado em ter mais, ser melhor, fazer e acontecer pra se provar e, mesmo que acontecesse de alguma maneira, era algo relevante, porque a intenção não era humilhar o próximo, mas provar pra nós mesmos do que éramos capazes.

"Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira. Na beira da pia, tanque, bica, bacia, banheira..." - Eu sei que você cantou no ritmo *O*

Pelo menos essa é a infância da qual eu me lembro. A fase mais feliz da minha vida justamente pela ausência de vaidades. Um período da minha vida em que eu não precisava de mentiras sociais pra sobreviver em meio à selva e também não era feito de caça por qualquer que fosse o motivo. Bastava saber que o mundo era redondo, que o sol voltaria toda manhã e que em determinado horário meus desenhos preferidos estariam lá pra me entreter, além da famosa hora em que os amigos iam até minha casa me chamar pra ficarmos horas e horas brincando na rua sem nos preocuparmos com absolutamente nada.

Ontem um amigo (Ederly kun :3) me disse que "adultos são muito cheios de drama" e eu acho que é isso que faz crescer ser tão chato. Tudo parece muitos maior, complicado e pior do que realmente é. Crescer é aprender e aperfeiçoar a técnica de fazer tempestades em copo d'água com cada vez mais frequência. Crescemos e nos tornamos atores de novela mexicana.

Sabe aquele sentimento de nostalgia que você sente? Ele é apenas a vida te mandando um simples recado:

Você nunca deveria ter deixado aquele tempo passar. Agora senta aí e se fode enquanto lembra tudo o que perdeu.

"Eu não preciso disso
alguém desliga os aparelhos e me deixa respirar"

- Soldadinho, Supercombo.

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