sábado, 11 de janeiro de 2014

Acho que a ficha começou a cair

Se você nasceu depois de 1998 o título dessa postagem te faz sentido unicamente por força da expressão, mas com certeza você não entende totalmente o conceito de "cair a ficha". É lance que tem a ver com os telefones públicos e as fichas que usávamos para fazer as ligações. Isso só prova que o tempo passa rápido demais e é um tipo de cara que não se importa muito com as outras pessoas - ou você o acompanha ou ele te atropela no caminho.

Como vocês já sabem eu estou , desde novembro, desempregado, vagabundeando por aí e aproveitando a vida fácil de quem recebe Seguro Desemprego. Ontem conversando com um amigo ele disse que antes eu era alguém, por ser o "officeboy da Clínica São Lucas", mas que hoje, desempregado, eu não sou ninguém.

Antes de mais nada eu gostaria de deixar claro que eu não era officeboy. O officeboy do hospital tinha uma vida fácil comparada com a minha (e ainda recebia mais do que eu). Eu ia começar uma discussão com ele a respeito disso, mas logo o maldito soltou uma frase que me bugou e me fez ficar pensando um bom tempo nela.

Ser alguém é muita responsabilidade
- Budda

O desgraçado está amaldiçoadamente certo. Ser alguém é uma coisa difícil pra caralho, ainda mais pra uma pessoa irresponsável como eu. "Nossa, Tiago, você não tem vergonha de ter 22 anos e se dizer um homem irresponsável?", NÃO! Até porque eu não gosto de ter fardos de responsabilidade caindo sobre as minhas costas. Acho que ninguém gosta de verdade. As pessoas encaram pelo simples fato de que elas tem de aceitar o que a sociedade impõe. Convenção, pura e simples. Responsabilidades traz glórias? Sim. Mas quando você cai quanto maior o peso em suas costas maior o estrago e as marcas que irão te companhar até o fim dos dias.

E aí você pergunta: O que isso aí tem a ver com cair a ficha?

O filho da puta acabou me lembrando que daqui há algum tempo eu vou ter que voltar a ter responsabilidades. Caiu a ficha bonito de que eu vou ter que voltar a trabalhar e, a menos que eu consiga um trampo legal, vai ser o mesmo tormento (o último não foi tão traumatizante) das minhas ultimas experiências de trabalho.

"Tiago, isso é coisa de vagabundo. Você que não gosta de trabalhar"

Ainda não estou nessa situação, mas se tiver wi-fi preto do banco até que não é um caminho tão rui assim

E tem como gostar de trabalhar? A menos que você tenha exatamente o emprego dos seus sonhos, a carreira que tanto desejou, creio que, na situação da maioria dos trabalhadores brasileiros, trabalhar é quase um martírio. Existe um texto, supostamente escrito por Bukowiski, que tem circulado no Facebook e mostra bem qual é a situação do nosso querido trabalhador assalariado.

Quem diz que gosta de trabalhar é porque tem o emprego que sempre quis ou então não precisa acordar cedo ou então acorda cedo, mas recebe um salário bem significativo pra compensar tal tortura. Se você não se encaixa em nenhuma das alternativas acima e ainda sim diz gostar de trabalhar procure um psiquiatra.

A ficha caiu, mas o Seguro ainda está só no começo. Devo sair pra caçar um emprego só em meados de março, então foda-se as responsabilidades até lá. A esperança é de conseguir algo que se encaixe nas opções que citei acima, porque assim eu finalmente poderei mentir falar pra todos que eu gosto de trabalhar.

A ficha caiu, mas eu continuo gostando de ser ninguém.

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