domingo, 9 de dezembro de 2012

Resenha; 2 Coelhos

Filmes nacionais são apenas focados em dramalhões com putaria, favela e comédia barata certo? É, acho que você nunca viu um filme como 2 Coelhos e, com total certeza, vai se surpreender MUITO ao ver essa obra prima do cinema nacional.


Escrito, dirigido e produzido por Afonso Poyart, o longa do Estúdio Black Maria Filmes foi lançado em janeiro desse ano (é, já faz um tempão e eu só assisti agora) pela Imagem Filmes. O filme conta a estória de Edgar (Fernando Alves Pinto), um cara que, por acontecimentos do passado, bola um plano (O plano) para fuder de vez com um esquema de corrupção entre políticos e bandidos da cidade de São Paulo e, de quebra (haaaaaa, 2 coelhos, sacou?!) consertar uma certa cagada que fez há anos.

O elenco conta com nomes já consagrados do nosso cinema como Caco Ciocler, Alessandra Negrini, Thaíde e outros pesos pesados nacionais

Um thriller frenético que te joga na cara uma série de acontecimentos, inicialmente, ao que parece, aleatórios e, com esses argumentos apresentados, vai ligando os pontos, juntando de forma belíssima as peças para montar um enorme quebra-cabeças. É lindo demais ver essa teia ser tecida em plena cidade de São Paulo com elementos já conhecidos do nosso cotidiano pelos jornais (golpistas, traficantes de nome, políticos e outros figurões corruptos etc). A palavra que define todo o roteiro é: Surpreendente.

A ação é presente em praticamente todos os momentos e, mesmo quando não há sua presença, as cenas são tensas e prendem a atenção do começo ao fim. À medida que a trama vai se desenrolando o espectador é apresentado a uma reviravolta atrás da outra. Quando você pensa que os parâmetros estão totalmente estabelecidos a narrativa te joga em um campo minado e muda tudo.

O estilo de câmera e narrativa remetem à diretores com colhões do cinema atual como Nolan e Tarantino e faz isso de forma honrosa, sem ficar devendo em nada (se tratando de um filme nacional, claro!) à filmes dos mestres. Os insights, efeitos visuais, o modo como a história é apresentada, adiantando e retrocedendo no espaço temporal, é muito foda de se acompanhar, provando que é possível, sim, fazer um filme jovem, com linguagem atual, roteiro inteligente e que foge dos clichês brasileiros.

O filme tem muitas cenas e idéias ótimas, mas algumas realmente chamam a atenção como as slow motions muito bem utilizadas nas cenas de tiroteio, o trajeto da bala desde sua saída pelo cano da arma, os devaneios da personagem Julia ao enfrentar suas crises de panico (cena essa a la Sucker Punch, com direito a vestido negro e katana *O*), o rosto dos personagens esboçados em graffit quando eles aparecem e são relevantes de alguma maneira pra estória.

Alessandra Negrini no melhor estilo motherfucker

Além de tudo isso o filme ainda fecha com uma sequencia onde você não tem noção de onde vai parar, já que depois de tantas surpresas qualquer coisa pode acontecer (e acontece!), ligando todas as pontas soltas com uma cajadada. As ultimas cenas são de encher os olhos, ao som perfeito e hipnótico de Muse e 30 Seconds to Mars.

Sublime... Essa é a única palavra capaz de definir 2 Coelhos... Palmas ao cinema brasileiro!

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