terça-feira, 2 de outubro de 2012

O dia em que eu quebrei o braço brincando de lutinha

O homem, em sua evolução, passou por várias etapas. No princípio, quando ainda mantinha um estreito parentesco com os animais, nele predominavam os instintos. Mais tarde, as sensações e emoções se tornaram determinantes. Quando já se encontrava mais avançado em sua caminhada, o ser humano passou a valorizar os sentimentos. Isso não significa, claro, que o indivíduo tenha se despojado de todos os instintos. Ele ainda está ali, guardado, esperando uma brechinha pra sair. E não há exemplo melhor de instintos a flor da pele, em sua forma mais espontânea, do que dois garotos brincando de lutinha. E, puta que pariu, como eu me divirto pra caralho brincando dessa merda gostava de ser espancado degladiar pela rua afora. Tanto que me fudi (como já era de se esperar ¬¬')!


A brincadeira mais foda de todos os tempos. Fácil de aprender, rápida de preparar e sem nenhum custo monetário (tirando os ocasionais gastos médicos). Dentre todas as brincadeiras de infancia essa era a minha, e de 8 entre 10 garotos da mesma idade, favorita. Essa predileção acabou me custando alguns bons hematomas e situações realmente dolorosas (Daniel me dando joelhada na boca foi a mais recente, eu acho - no ano passado) no decorrer dos anos, mas eu confesso que meu lado sádico muitas vezes fala mais alto e um latejamento muitas vezes cai bem me divirto muito mais quando as coisas não são tão fáceis.

Estimulados por generosas doses de violência oferecidas por desenhos (Dragon Ball, YuYu Hakusho, Inuyasha, As Aventuras de Jack Chan etc), jogos (Street Fighter, Mortal Kombat, Final Fight, Killer Instinct etc) e filmes (na minha época Sessão da Tarde e Cinema em Casa passavam pancadaria, explosões e tudo quanto é trasheira que você possa imaginar) a galerinha, diante do tédio, logo saia distribuindo pancadas pra tudo quanto é lado nuns aos outros.

Bons tempos, onde eu conseguia manobras dignas de Jet Lee u.u
Mas a vida, e mais especificamente a minha vida, é uma grande e debochada caixinha de surpresas. Existe uma linha tênue entre brincar e se fuder pra caralho tentando se divertir. É, eu desconheço essa linha e constantemente passo direto por ela. Isso faz com que uma brincadeira (quase) sadia e (quase) sem grandes riscos se transforme numa merda colossal. Eu tenho o dom de me fuder!

Numa bela tarde de sol, quando o mesmo já estava se pondo no horizonte avermelhado (eu devia ter percebido a mensagem que o céu me enviou), numa simples brincadeira eu consegui a proeza de fazer isso...

O direito é sacanagem, velho... Se é que você me entende õ_O!

Foi o seguinte. Dez ou onze anos de idade e vento ao invés de miolos na cabeça.

Eu e um colega (Marco Antonio, maldito seja!) estávamos em duelo mortal no pior lugar que você poderia imaginar: em cima de um quebra-molas, no meio da rua, em um morro. O tal quebra-molas era a nossa "arena" e o quebra-pau já perdurava por alguns minutos sem nenhum dos dois mostrar sinais de fadiga (já que na lutinha fazer o inimigo se cansar e se render é a única forma de vitória sem problemas com mães raivosas e filhos quebrados). Eu nunca fui muito cuidadoso, nem comigo e muito menos com os meus amigos (agora inimigo), então resolvi utilizar meu golpe finalizador master. Péssima decisão!

Peguei todo o embalo possível e me atirei lançando os pés na direção do maldito na intenção de obliterá-lo com uma magistral voadora. Nesse momento eu realmente não sei o que aconteceu. O filho da puta, num movimento, ou milagroso ou ele era um ninja disfarçado, desviou do meu golpe, agarrou minha perna (eu acho.... Faz tempo pra burro isso) e me deslocou totalmente.

Eu em queda + burrice de tentar evitar o tombo + quebra-molas =

Ficou mais ou menos assim só que a curva era pra cima ^^!

Não tenho palavras pra descrever a dor que senti naquele momento. Não sei nem se aquilo pode ser chamado de dor. A questão é que a porra de um osso não foi feita pra se partir como se fosse isopor. O negócio é uma formação de cálcio que seu cachorro, mesmo roendo por horas, mal consegue arranhar, e eu quebrei o maldito do punho.

A dor fez com que eu perdesse totalmente a noção de onde eu estava. A unica coisa que conseguia fazer era rolar de um lado pro outro berrando feito um porco no abate. Isso tudo, lembremos, no meio de uma rua relativamente movimentada, em um morro. Recobrei o controle de mim quando um carro desceu correndo e meu instinto (olha ele aí de novo) me fez rolar para o meio fio e levantar correndo.

Cambaleei gritando até a minha casa e chorando loucamente, primeiramente pela dor, segundo pelo estado em que meu braço se encontrava (a imagem de um membro deformado não é das mais agradáveis) e por ultimo por saber que o que vinha depois era ainda pior. Minha mãe já veio me acudir e não sabia me levava pro hospital ou me batia pelo tamanho da cagada que eu tinha feito.

No hospital foi o pior. Você sabe o que eles fazem pra consertar braços no hospital??? Cara, eles vão lá no maldito lugar que já está todo fudido e o filho da puta do médico PUXA O OSSO QUEBRADO QUE JÁ ESTÁ DOENDO, FAZENDO COM QUE DOA MAIS DO QUE SE UM CANAVIAL DE ROLA ESTIVESSE SENDO ENFIADO NO SEU RESPECTIVO ÂNUS.

Fiquei uma noite de observação e ganhei alta logo de manhã. Aproveitei que estava de do-dói e abusei do estado induzido de boa vontade da minha mãe pra ganhar coisas e favores. Fiquei 1 mês com o gesso, mas la pra 3ª semana eu dei uma adaptada nele, pois estava atrapalhando eu girar Beyblade. Ponto positivo: 1 mês sem aula (por falta de vergonha na cara já que eu poderia ir pra assistir e depois fazer as provas)


Quebrar o braço é uma coisa que eu só desejo pro meu pior inimigo e pras pessoas que realmente merecem sofrer.

Um comentário:

  1. Épicamente épico se sua vida fosse um livro eu o compraria mas se minha caligrafia fosse um livro ninguem ia comprar...
    By:Nevaska
    ps:NAO SOU ANONIMO!

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