sábado, 1 de setembro de 2012

Amigo Imaginário?

Aos seis anos eu me mudei pra Vila Viana. Durante minha infância eu morei muito tempo naquele bairro, sempre indo e vindo, mas sempre voltando a morar por aquelas ruas. Foram bons tempos. Eu vivia na rua com os meus amigos, jogando na locadora do Eli, andando de bicicleta. Lá eu tinha um bom amigo, o Paulinho... Só eu me lembro dele...


Garoto branco, cabelo loiro com corte estilo cuia; esse é o Paulinho do qual me lembro. Ele estava sempre ali na rua, ia pra escola comigo. Não lembro direito, mas acho que ele chegou a ir na minha casa jogar video-game algumas vezes. O cara era gente boa demais.

Foi aí que vieram as férias (não me lembro se de Julho ou Dezembro) e as coisas mudaram...

Cheguei em casa depois das férias e aos poucos fui me reencontrando com a molecada de lá. Achei estranho o meu amigo não ter aparecido na rua ainda, mas talvez ele só tivesse viajado e fosse voltar dali alguns dias... Ele não voltou. E a casa dele estava vazia.

A resposta era obvia: ele havia se mudado. Eu me conformei com aquele fato já que por não parar em casa nenhuma aprendi a perder contato com amigos sem muitos traumas. Então resolvi seguir a vida normalmente e aproveitar a presença dos amigos que ainda estavam ali.

Eis que surge o momento que gerou (e ainda gera) uma confusão imensa na minha cabeça. O caso é que depois do acontecido eu perdi um pouco da noção do que era real ou não. Eu não sou louco, mas isso me empurrou pra beira do penhasco.

Um dia estava lembrando do Paulinho e resolvi perguntar pra alguns garotos que também moravam na rua se eles sabiam pra onde o carinha tinha se mudado.

- Paulinho??? Quem é esse??? - Foi a resposta que eu recebi.

O pior é que a frase acima era unanime. Ninguém na rua se lembrava do Paulinho. Eu cheguei a perguntar pra minha mãe e ela também não se lembrava de nenhum amigo meu com esse nome. Perguntei dele para várias pessoas do bairro, descrevendo a aparência a personalidade, mas não tinha jeito.

Era como se a lembrança do menino tivesse ido embora junto com ele e só eu me lembrasse dele. E ainda me lembro, por sinal, perfeitamente. Já que ninguém se lembrava resolvi deixar pra lá.

Durante todos esses anos ainda fico me preguntando o que aconteceu. Será que o Paulinho nunca existiu, sendo uma criação da minha cabeça? Ou então ele era alguma entidade doida que me perseguia por algum motivo? Talvez todas as pessoas tenham enlouquecido e se esquecido dele num lapso de amnesia coletiva gigantesco.

Será que o louco sou realmente eu???


Paulinho, se você estiver lendo isso aqui (e só se estiver vivo!), favor entrar em contato pra eu provar pras pessoas que eu não estava louco quando falava que te conhecia.

3 comentários:

  1. hahahahahaha, It seems a Creeppasta man kk

    Gubi aqui, Belo texto!

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  2. hehehehe essa foi boa em Tiago texto legal!!

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  3. Sim, história bacana. Gostei do texto. =)

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